Perguntas de um GAYmistinha

::. Autor: Alexandre Perin


Domingo, dia 17 de dezembro, o filho gremista pergunta para o pai, também
gremista:

- Pai, porque os colorados estão comemorando?
- Porque eles foram campeões do mundo, diz um conformado pai.
- Mas pai, nós também somos campeões do mundo, né?
- Sim!, exclama imediatamente um animado pai. Ao fundo, foguetório.

- Pai, tem vídeo teu no youtube na comemoração e fotos da festa do Mundial?
- Não, guri. Naquela época não existia youtube e câmera digital. Aliás, nem internet tinha.
- Não???? Bah, que estranho... E o Inter ganhou do Barcelona, aquele time que vemos todos os domingos na tv, né?
E nós, de quem ganhamos?
- Do Hamburgo, 2x1 na prorrogação.
- Hamburger? Que time é este?
- HamburGO. Na época era o campeão europeu.

- E depois?
- Nunca mais ganhou nada, hoje é time médio na Alemanha. Eles foram com time misto, tavam mal no Alemão.
- Mas eram bons? Tinham craques que nem o Ronaldinho, o Deco, o Eto\'o?
- Claro, tinha o... Rollf e o Magath!
Confuso, mas confiando no pai, o guri diz: - Hm, tá bom... Ah, este Hamburger era que nem o Once Caldas da Colômbia, né?
- Como você pergunta coisas! Já falei que é HAMBURGO, com GÊ-Ó no final! O que mais tu quer saber, hein?
- Contra quem jogamos nas semifinais? Um time da Ásia?
- Não, guri. Na época não tinha isto, era um jogo só da Europa contra a América do Sul.
- Hm, entendi.. Então na época, só haviam descoberto dois continentes?
- Mas saco (nesta hora o pai já está bem irritado com o interrogatório)! Não, é que não tinha representantes dos outros continentes. Era só 1 jogo, e só entre eles.

Tentando amenizar, mas muito curioso ainda , o menino pergunta: - Pai, tem imagem de TV da entrega da nossa taça do Mundial?
- Tenho! Peraí, tenho que pegar o videocassete betamax que tá no sótão e instalar na TV velha da sala.

O pai vai rápido, todo feliz e instala em 10 minutos. A imagem tá ruim, mas dá para ver a entrega direito.

Neste momento, passa uma horda de colorados na frente do prédio gritando:
\"colorado, colorado: nada vai nos separar...\"

- Pai, quem é este japonês que tá entregando a taça pro nosso time? Era o presidente da FIFA na época?
Quem era antes do Blatter?
- Hm, não lembro. Deixa eu ver o que tá escrito na tela. Ah, tá ali. \"Toyota
Maintenance Manager\", então é o Gerente de Manutenção da Toyota.

- Entendi tudo então pai! Então quer dizer que também somos campeões do mundo, mas na época
não tinha internet nem câmera digital, e gravado em um sistema que não existe mais. Que ganhamos de um time que era zebra na Europa, que não tinha semifinal e o mundo do futebol
só tinha dois continentes. E que o prêmio pela conquista foi entregue por um
funcionário subalterno da patrocinadora do jogo...

O pai suspira, escutando pela milésima vez ao fundo \".. o teu presente diz tudo, trazendo a torcida alegres emoções...\" e diz: \"é, vai ser difícil convencer o outro...\"


Teste do Campeão do Mundo

::. Teste enviado por Marcelo Verçoza Gonçalves. Boa!!


1- Como você soube que seu time foi campeão do mundo?

a)vi na TV, li na internet em real time e escutei no rádio, tudo ao
mesmo tempo.
b)meu pai me contou.
c)vi no programa "grandes momentos do esporte", especial do século passado.
d)vi uma fita de video beta-max, com imagens colorizadas por computador.

2- Contra que time o seu time foi campeão do mundo?

a) contra o Sanduíche Natural Futebol Clube;
b) contra o Sociedade Esportiva e Recreativa Torrada;
c) contra o Clube de Regatas Cachorro Quente;
d) contra o MSI/Hamburguer;
e) contra o Fútbol Club Barcelona.

3- Cite o nome de um jogador do time adversário.

a) essa você me pegou!!
b) peço ajuda aos universitários.
c) vou perguntar pro meu pai.
d) se tu quiser, te dou a escalação completa.

4- Como você comemorou o título?
a) não lembro. tomei um trago absurdo.
b) não lembro. era criança de fralda.
c) lembro. tomei um trago absurdo, estourei foguetes e comemorei muito.
d) lembro. dormi com minha mãe porque estava com medo dos foguetes.

5- Que músicas você vai cantar no estádio ano que vem?

a) As mesmas do ano passado, em português;
b) We are the Champions;
c) Teremos reunião de torcida, porque todas as músicas se tornaram
desatualizadas e em espanhol não dá mais pra cantar, pois vão soar
derrotadas demais;
d) Eu não canto. Fico me divertindo na analvalanche.
d) Alguma coisa que demonstre que não nos abatemos com a conquista triunfal do co-irmão. Estou decorando as letras de "Macho-Man" e "I will survive".


Não me Acordem

::. Autor: Luis Fernando Verissimo
Enviado por Tiago Loureiro


O passado é prólogo. Certos acontecimentos dão força a esta frase, transformam tudo que veio antes em preliminar, em mero antecedente. Ou, para usar outro termo literário, em prefácio. Você se dá conta de que tudo que houve até ali - toda uma vida, toda uma história - foi simplesmente preparação para aquele certo momento, depois do qual nada será como era. E o passado ganha uma lógica que não tinha. Você passa a entender tudo em retrospecto. Tudo tinha um sentido que você apenas não percebera, na falta do momento máximo. A vitória do Grêmio em Tóquio em 83, os anos medíocres, o quase rebaixamento, as finais desperdiçadas, os vexames, as desilusões - tudo era prólogo para ontem.

Agora ficou claro, agora ficou lógico. O próprio destaque como melhores do mundo conquistado pelo Barcelona e pelo Ronaldinho fazia parte da preparação para o nosso 17 de dezembro, que não teria o mesmo gosto épico se o adversário fosse outro. Tudo era armação para aumentar o brilho e o drama do nosso momento máximo. Tudo se encaixava. Ou você pensa que a saída do Pato e do Fernandão, ontem, foi obra do acaso, esse autor sem imaginação? O resultado de ontem veio sendo construído aos poucos, desde antes da fundação do Internacional, antes de Pedro Álvares Cabral, antes de Homero e das Pirâmides.

E eu sabia que havia uma justificativa histórica para o topete do Gabiru.

Há dias a leitora Poliana Lopes me lembrou de um texto que eu tinha escrito, e esquecido. Ela teve a gentileza de me mandar o texto, e eu peço licença para repeti-lo agora. Era assim:

"Meu caro colorado. Desculpe esta carta a céu aberto, é que não sei nem seu nome nem seu endereço. Na verdade, só vi você na rua, de mãos dadas com seu pai e cercado pelos seus irmãos, que vestiam a camiseta do Grêmio (suponho que fossem seu pai e seus irmãos). Você estava com a camiseta do Internacional. Quase parei o carro para olhar melhor, mas não era miragem. Você tinha uns quatro ou cinco anos e estava de camiseta vermelha! Seu pai vestia uma camisa branca exemplarmente neutra, mas posso imaginar como tem sido a sua vida em casa. As provocações, os petelecos, a flauta, o martírio. E lá estava você de camiseta vermelha, o antigo escudo orgulhosamente no peito, desafiando todas as provações. Não sei se você sabe que vários colorados da sua geração não agüentaram e trocaram de time. Levaram pais e avós ao desespero, mas não suportaram a pressão do sucesso gremista. Você agüentou. Você não sabe, mas é um herói. E fiquei pensando que, quando for a nossa vez de novo, teremos certamente a torcida mais dedicada, fiel, convicta e feliz do Brasil. Porque será a torcida dos que resistiram. Agüente só mais um pouco. Meus respeitos."

Mas isto tudo também pode ser um sonho.

Se for, por favor: não me acordem.

 
 
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