FILHO: Pai, por que o senhor sempre
fala que eu tenho que ser Corinthiano?
PAI: Porque o Corinthians é o melhor time
do mundo filho. É o Timão!
FILHO: Mas o Corinthians não foi rebaixado para a
segunda divisão? E o apelido Timão não
é porque no símbolo do Corinthians tem um
timão de navio?
PAI: Bem, é verdade. Mas nós só fomos
rebaixados por causa de uma parceria com um fundo de investimentos
chamado MSI que desgraçou o Corinthians.
FILHO: Mas não foi essa MSI que comprou o Tevez,
o STJD e o Márcio Rezende de Freitas para garantir
o título nacional de 2005 que na verdade foi conquistado
pelo Internacional?
PAI: Foi, mas depois....AH, isso não importa filho.
Nós somos a maior torcida de São Paulo e a
segunda maior do Brasil.
FILHO: Isso é legal né pai!? Mas a Índia
e a China são os países mais populosos do
mundo e nunca ganharam uma Copa e a Itália, que é
um país pequeno e com menos torcida, já tem
quatro mundiais não é!?
PAI: É filho, tá certo porra!!!
FILHO: Calma pai, o senhor está bravo só porque
o Corinthians não é nada disso que o senhor
pensava?
PAI: Pára com isso filho! Nós já fomos
campeões mundiais!!!
FILHO: Sério Pai!? Quando?
PAI: Em 2000.
FILHO: Que legal, então nós também
ganhamos a Libertadores em 99?
PAI: Não, na verdade quem ganhou a Libertadores em
99 foi o Palmeiras. Você não sabe que nós
NUNCA ganhamos uma Libertadores em mais de 90 anos de história!?
FILHO: Ué, então porque o Corinthians jogou
esse mundial em 2000?
PAI: Ah! É que fomos convidados para jogar porque
ganhamos o Brasileirão em 98 e tínhamos o
apoio de um grupo de investidores estrangeiros que precisava
colocar o Corinthians lá./ O Vasco ganhou a Libertadores
de 98 e também foi chamado./
FILHO: Entendi. Então na Europa chamaram o campeão
da Liga dos Campeões da UEFA de 98?
PAI: Sim, mas também chamaram o Manchester, que venceu
a Liga em 99.
FILHO: Então por que não chamaram o Palmeiras?
Porque o campeão Sul-americano de 99 não foi
e o Corinthians que nunca passou de uma semi de Libertadores
foi?
PAI: Não sei filho, mas que merda!!!!
FILHO: Então esse torneio não foi sério.
Não teve critério para as escolhas dos clubes!
Mas o Corinthians ganhou do Manchester e do Real Madrid
né pai?
PAI: Não. Na verdade ganhamos do perigoso Raja Casablanca
com um gol roubado em que a bola não entrou, empatamos
com o Real Madrid, no Morumbi, graças ao Anelka que
perdeu um pênalti e depois "goleamos" o
poderoso Al Nasser por dois a zero.
FILHO: E na final ganhamos de quem?
PAI: Na verdade não ganhamos. Empatamos com o Vasco
por zero a zero no Maracanã e o "título"
veio nos pênaltis.
FILHO: Quem foi o herói Corintiano que fez o gol
do título?
PAI: Ninguém. Na verdade o Edmundo chutou pra fora
e nós ganhamos.
FILHO: Mas esse ano comemoramos 30 anos do título
de 77. Que campeonato foi esse tão importante?
PAI: Foi o Campeonato Paulista. Saímos de uma fila
de 22 anos sem título com gol de Basílio contra
a "fantástica Ponte Preta".
FILHO: Ah, sei. Mas não foi nesse jogo que o Rui
Rei, artilheiro da Ponte, se vendeu e foi expulso logo no
começo do jogo só pra não fazer gols
e assim ajudar o Corinthians?
PAI: Foi seu filho da puta, mas e daí!?
FILHO: Mas pai. Esse ano o São Paulo completou 30
anos do primeiro título Brasileiro que conquistou
e ao invés de festa e camiseta comemorativa, ganhou
mais um e agora eles são Penta.
PAI: Foda-se filho! Eles são Bambis!!!!
FILHO: São Pai? Mas eles me dizem que são
Penta Brasileiro, Tri da Libertadores e Tri Mundial. É
verdade?
PAI: É verdade filho! (de cabeça baixa)
FILHO: É verdade também que se não
fosse um tal de Grafite, atacante do São Paulo, nós
teríamos sido rebaixados também no Paulistão?
PAI: Você não quer falar de Fórmula
1!?
FILHO: Tá bom pai. Mas o Rubinho não é
Corintiano?
PAI: Puta que pariu moleque! É, caralho!
FILHO: Vixe pai!!! O Rubinho é corintiano e o melhor
piloto Brasileiro da atualidade, o Felipe Massa, é
são paulino. Vamos falar de futebol mesmo vai.
PAI: Calma lá!!! Mas o Senna era corintiano filhão!!
FILHO: Eu sei pai. Já me falaram isso. E me contaram
que como corintiano ele não agüentou. Em 92
viu o São Paulo conquistar o Bi Mundial e o Palmeiras
sair da fila em cima do Corinthians, aí percebeu
que não adiantava torcer pra esse time e enfiou o
carro no muro.
PAI: (APENAS SUSPIRA)
FILHO: Calma paizinho. Vamos passear, me leva no estádio
do Corinthians.
PAI: (chorando) Não temos estádio porra! Temos
uma chácara que apelidamos de fazendinha e que é
menor do que qualquer ginásio da NBA.
FILHO: (puto da vida) Chega pai! Assim não dá.
Não temos estádio, não temos time,
nosso título mais comemorado é um paulistão
roubado, o nosso quarto título brasileiro foi mais
roubado ainda, somos o único clube grande( GRANDE????
) da capital paulista que não tem Libertadores, a
nossa torcida é a segunda do país e de nada
adiantou, torcida do São Caetano é mil vezes
menor e já viu o time numa final de Libertadores,
nosso título mundial é uma fraude, o maior
ídolo da nossa torcida no século XXI é
argentino e nós estamos na segunda divisão,
e você ainda quer que eu seja Corintiano. Você
é um fanfarrão pai!!
Meu Amigo Gremista
no Cinema
::. Autor: Daniel
Chiodelli
Segunda-feira, 12 de novembro de 2007, final de tarde. Após
mais um dia de trabalho, resolvi relaxar numa sala de cinema
da capital. Na fila para o ingresso, me encontro com um
amigo que conheci em 2003, quando morei em Uruguaiana. Gremista,
ele foi assistir a um filme do Robert Redford ou sei lá
eu de quem. Eu não. Eu fui ver o meu próprio
filme. Fui ver uma história da qual eu sempre fiz
e sempre farei parte, pois como diz no fim da sessão:
“Essa história não tem fim”.
O engraçado de encontrar esse amigo, justamente no
dia em que fui ver o filme do Inter Campeão do Mundo,
é que eu me lembrei do final de 2003. Após
a última rodada do campeonato brasileiro daquele
ano, saí à noite para jantar e me encontrei
com ele. Na verdade, acho que era uma festa de formatura.
Como bom gremista, ele não é muito bem informado
sobre futebol, mas me perguntou quanto tinha sido o jogo
do meu time. Não foi fácil informá-lo:
São Caetano 5 x 0 Inter. Colorados fora da Libertadores
de 2004. Ele não me perguntou por deboche, pois realmente
não sabia do resultado.
Aquela foi uma noite triste para mim. Para mim e para toda
a nação colorada, é claro. Mas o que
me doeu mais foi ouvir o comentário seguinte do meu
amigo gremista: “Eu não acredito! Só
o Inter, mesmo, para conseguir isso! Não era o São
Caetano que tinha um dos piores ataques do campeonato? Que
não fazia gol em ninguém?” Era a mais
pura verdade. O problema é que ele não estava
me dizendo aquilo em tom de gozação. Ele estava
realmente impressionado. Claro que achou graça, claro
que gostou de saber do resultado, mas ele não estava
fazendo cena nem me desrespeitando. Aquela noite, aquele
diálogo me atirou na cara a realidade do meu amado
time de futebol. Não era o simples fato de não
conseguir a vaga para a Libertadores, mas a forma como ela
ocorrera.
Naquele ano, muitos amigos colorados me chamavam de louco,
pois eu entendia que ainda não era o momento de voltar
à Libertadores. Eu pensava que o clube não
estava pronto para voltar à mais importante competição
sul-americana de futebol. Eu temia pelas loucuras que a
direção poderia fazer em virtude das pressões
que surgiriam de todos os lados após tantos anos
longe da mais desejada competição continental.
Eu temia pelo atropelo de um planejamento que, anos mais
tarde, viria a ser, literalmente, coroado.
Ocorre que, como tão bem diz a letra do nosso hino,
correm os anos e surge o amanhã. Pois o amanhã
surgiu e eu me reencontrei com o gremista que, tenho certeza,
sequer se lembra daquela conversa que tivemos há
alguns anos, lá na fronteira. Mas eu não.
Eu nunca me esquecerei dos dias que passei com o meu Inter.
Dias bons, dias ruins. Dias de chorar na alegria, dias de
chorar na tristeza.
Após ver o filme, saí do cinema me sentindo
ainda mais Campeão do Mundo! Esperei alguns minutos
e me encontrei novamente com o meu amigo gremista, que saía
da sala onde havia visto o seu filme. Ele não entendeu
nada, deve estar até agora se perguntando o que houve,
mas ao revê-lo, eu simplesmente apertei-lhe a mão,
olhei fixo em seus olhos e lhe disse: “Tu tinhas razão:
só o Inter, mesmo, pra conseguir isso!”
O Que Mais Dói
Num Gremista
::. Autor: ??
Aquela placa luminosa em cima da tapera
da Azenha "GRÊMIO - CAMPEÃO DO MUNDO".
Aquilo dói neles, gurizada. Eu sei porque convivo
com gremistas e sei o que eles sentem. Eles sempre souberam
que europeus e argentinos se denominam corretamente campeões
intercontinentais. Eles sempre souberam que não eram
campeões do MUNDO. Mas como nós não
tínhamos o mesmo título, eles faziam o que
toda a pessoa que não tem argumentos para rebater
alegações em contrário fazem: desqualificavam
o debatedor.
Quis o detino que nos tornássemos campeões
no Mundial FIFA.
Agora eles sabem bem a diferença entre TOYOTA e MUNDO.
Há pouco tempo um gremista me perguntou se eu era
o tipo de COLORADO que achava que o Portoalegrense não
era CAMPEÃO DO MUNDO. Eu não respondi. Apenas
perguntei porque da dúvida. Disse que achava bobagem
ele perder o sono por causa disso. Mas, no fim, disparei:
"É fácil, é só fazer que
nem o macaco imundo aqui. Ganha o Mundial FIFA que essa
tua dúvida se dissipa.
Mas tem outra coisa que também dói muito neles:
a SEGUNDONA. São dois rebaixamentos. Duas lanternas.
Uma virada de mesa.
Na segunda vez, nem de SEGUNDONA chamavam mais. Era Série
B, pra não ficar tão chato. Ganharam o jogo
mais ridículo da história do futebol e o transformaram
num feito épico, no melhor estilo de propaganda gremista.
Mas o que mais dói neles é que o INTER nunca
foi rebaixado. E esse nosso desempenho fraco no Brasileirão
deixa eles com esperança. A maioria troca a vaga
na Libertadores por um eventual rebaixamento colorado. E
eles angustiados com isso, mais que nós. Bem mais
que nós!
Se eles forem para a Libertadores, vão arrotar grandeza,
como sempre. Mas se o INTER não for rebaixado, e
tenho fé de que isso não ocorrerá,
por mais que eles arrotem grandeza no próximo verão,
jamais se esqueçam, COLORADOS, tem muita coisa doendo
na alma tricolor.
Sabem de uma coisa: não temos
do que nos queixar.
O Saci Observa
::. Autor: ??
Te observo, co-irmão. Algo longe, pois meu escudo
e espada não foram suficientes para vencer mais uma
guerra. Estava cansado, mas achei que não precisava
comer nem beber água. Estava imbuído do espírito
que me levou às grandes glórias que trago
no peito. Fracassei, agora apenas descanso. Fecho as feridas
para uma nova batalha, enquanto te vejo seguir adiante nos
campos que conquistei.
Teu povo faz troça e diz que não sou o mesmo.
Não me importo. Sei do respeito que tens e sei que
hoje só enchem a relva por estarem seguros da minha
ausência. Sempre que nos cruzamos, co-irmão,
nas grandes batalhas, eu venci. A minha saída te
dá a esperança de um futuro melhor. Sei que
funciona desse jeito, como sempre funcionou. Hoje, sento
no cume do monte onde ergui meu palácio, de onde
posso ver toda a terra coberta com as minhas bandeiras vermelhas.
Daqui, vejo que tens algumas virtudes. Sabes aproveitar
a vantagem sobre os fracos inimigos. Tens um comandante
que conheço, pois foi criado na minha casa, o que
lhe dá a virtude de vencer sabendo por quê,
mesmo com os temores da juventude.
Não sei se tens, porém, as virtudes para desalojar-me
do meu palácio. Seria doído entregá-lo
para o eterno rival, dizem meus pupilos, que fazem votos
pelo teu fracasso. Eu havia deixado de me importar contigo
já faz alguns anos, quando te via chafurdar nos charcos
de lama junto com adversários de segunda. Depois,
quando saíste do poço, até olhei de
soslaio, mas estava mais preocupado afiando a espada, pois
a conquista do mundo era um caminho a trilhar.
Como admites, co-irmão e rival, foi um caminho e
tanto. Cruzamos o mundo a falcione, vencemos os pequenos
e gigantes. Alguns dos teus discípulos, tomados de
inveja, desdenharam. Disseram ser inglórias as batalhas,
mentirosas as conquistas. Chegaram a queimar o meu jardim
numa tentativa súbita de chamar atenção.
O bem maior me esperava, então pouco liguei para
coisas pequenas como o ciúme.
Hoje, jogando nos mesmos campos, tu segues adiante, eu fico.
Tivemos o mesmo caminho, mas lutei contra escudos de metal
e tu, contra broquéis de madeira. Faz parte. Quem
um dia dobrou o aço não se contenta em partir
o ferro. Fui soberbo, foste humilde. Cabe a mim perceber
onde errei e seguir adiante para mais uma conquista.
Não vou pedir de ti, rival, a modéstia que
nunca tiveste. Teus pupilos não falam, mas sabem
a verdade. As taças que tens para conquistar estão
no meu palácio e um longo caminho ainda tens para
percorrer antes de tocá-las. Se o fizerdes, serás
digno do meu cumprimento. Se fracassares, ao menos veja
minhas pegadas e reaprenda como se constrói o caminho.
Seguirei te observando, do topo do mundo, de onde podes
ver a fumaça do meu cachimbo.
Daquele que sempre te venceu e hoje tem o mundo aos seus
pés,