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Minha Copa é a Libertadores, Minha Seleção é o Inter

Autor: Luciano Emiliano - COLORADO DE GARANHUNS

 
NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA COMEÇA A COPA 2010 E TODAS ATENÇÕES DO MUNDO DA BOLA ESTARÃO VOLTADAS PARA Á ÁFRICA DO SUL. TODAS? NEM TODAS! POIS AS MINHAS ESTARÃO VOLTADAS PARA O MEU TIME DO CORAÇÃO.

QUEM SERÁ O NOVO TÉCNICO DO INTER?
QUAIS JOGADORES SAIRÃO?
QUAIS CHEGARÃO?
QUAL A MELHOR ESTRATÉGIA E O MELHOR ESQUEMA DE JOGO PARA ELIMINARMOS O SÃO PAULO E CHEGARMOS Á MAIS UMA FINAL DE LIBERTADORES?
COMO O INTER ESTARÁ SE PREPARANDO PARA O 2º SEMESTRE DA TEMPERADA 2010?

PERGUNTAS QUE NÃO SAEM DA MINHA CABEÇA E ACREDITO DA MAIORIA DOS TORCEDORES COLORADOS. E ANTES QUE ALGUÉM SE PERGUNTE? É CLARO QUE EU IREI ACOMPANHAR A COPA DA ÁFRICA, ACOMPANHAREI COMO APAIXONADO QUE SOU POR FUTEBOL, IREI TORCER SIM PELO SUCESSO DO NILMAR, DO LÚCIO, DO DUNGA, DO TAFFAREL, DO FÁBIO MAHSEREDJIAN E ATÉ MESMO DO PAULO PAIXÃO, MAS É SÓ ISSO. POIS A MINHA COPA AQUELA QUE EU QUERO CONQUISTAR OUTRA VEZ É A LIBERTADORES QUE NOS DARÁ O DIREITO DE DISPUTAR O VERDADEIRO MUNDIAL DOS COLORADOS O MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA EM ABU DHABI NO FINAL DO ANO. OU SERÁ QUE TERIA ALGUM COLORADO QUE TROCARIA O BI DA AMÉRICA PELO HEXA DA SELEÇÃO DA C.B.F. , EU NÃO TROCARIA! PORQUE A MINHA SELEÇÃO É O INTER E SEMPRE SERÁ...

O Coração Vermelho da Cidade Pulsará

Autor: ?? - Março/2009


A cidade se move, há uma grande expectativa. Nos peitos da gente, corações vermelhos aceleram. Esperam pelo momento da alegria para transbordar. Porto Alegre anseia: o maior Deus pagão dessa terra completará cem anos.
Todos sabemos como cultuá-lo. Vestimos as camisas vermelhas e brancas. Vibramos com os gols, os dribles, os carrinhos dos seus apóstolos. Comemoramos cada taça colocada no altar – e agora, não falta mais nenhuma. Cantamos os hinos, agitamos as bandeiras, mostramos os punhos cerrados de força e os gritos incessantes de vitória.

O Internacional é uma paixão que tomou conta do mundo inteiro. As arquibancadas do Beira-Rio ficaram pequenas para tanta alegria. É por isso que decidimos tomar as ruas da cidade.

No sábado, dia 4 de abril, o coração vermelho e branco da cidade pulsará. Como nas vitórias gaúchas, brasileiras, sul-americanas e mundiais. Você sairá com a sua camisa vermelha, a bandeira na mão, para fazer a festa numa caminhada que representa a história do nosso clube. Sairá do local onde ficava o primeiro campo de treinamento, a praça Sport Club Internacional - chegará à nossa Gigante casa, o Beira-Rio.

Quando algum satélite do espaço visualizar aquela multidão vermelha, celebrando os nossos cem anos de glória, todos lembrarão quem é o dono dessa terra.

Renato Vs. Clodovil




Onde o Gigante Não Ri Nem Chora

Autor: Emanuel Neves - Maio/2008


No meio da empolgação, da gritaria e da loucura dos minutos que antecediam a partida, por algum motivo, eu direcionei o olhar à torcida adversária. Das suas bocas e gritos opacos, escorria a baba de uma empáfia monumental. Num delírio de soberba, num acesso de presunção desmedida, ousavam ironizar Fernandão. Em verde e branco, salpicados de preto e azul, eles proferiam o nome do capitão num tom de chacota, guinchando um riso de hiena que tantas vezes eu havia visto. Lastimei. Não pelo camisa 9, maior que todos. Menos ainda por eles, o nada em esmeralda. Me consternei mesmo pela arquibancada, por aquela velha nesga do Gigante que cumpre sua sina infinda de abrigar os que vêm de fora. Por segundos, me detive naquele cimento frio e úmido, tristonho e gris como outono. Duro, carrancudo, inóspito, invernal.

Notei ali um solo quase pagão, condenado à pena irrevogável de ser um estranho em si mesmo. Pobre concreto, lamentei. Nossa gente te renega, te deixa empoeirar. Veneramos o teu oposto! É sempre do outro lado que tudo acontece. É lá que a magia surgiu e se renova, a cada quarta ou domingo, para jamais morrer. Lá que ela acorda ao som dos bumbos, se alvoroça no tremular das bandeiras, flutua e ganha o mundo nos cantos que não se calam. É tão mágico o teu espelho, é tão bendito aquele costado, que o sol o escolheu para cama.

E tu, solo enjeitado? Enquanto o ginásio espiava sobre o teu ombro, tu viveste tudo, foste partícipe de epopéias, glórias incontáveis. Das tardes do Tri às noites da América. Tudo. Mas quem em ti viveu? Quem em ti foi Inter? Parece que a vida corre no teu arrabalde, à tua margem. Nunca contigo.

A verdade, meu chão, é que quem te pisa não te merece. Quem te ocupa não te respeita e de ti não é digno. Mas tu, solo guerreiro, cumpres o trabalho sujo de sustentar o que não convém ao Gigante, o que a ele será sempre estranho e menor, o que já vem com o destino traçado. Tua fatia diminuta e esquecida é uma espécie de cadafalso, é a beira do abismo materializada em ferro e areia.

Tu és a boca do Gigante, a quem tudo e todos engole. Quem por ti adentra, acaba deglutido em 40 mil vozes, amassado por 22 pernas. Vendo de longe, teus degraus são uma espiral. Por eles, tal qual uvas, escorrem os restos, os bagaços mortos em direção ao portão.

Às 17h30min de domingo já não havia alma alguma no lado oposto da Popular. Não se via copo nem bandeira, não se ouvia grito, nem eco, nem fantasma. O setor dos visitantes, onde vários já tombaram, onde tantos sucumbiram, onde todos se curvaram, estava nu. E aquela bocado da Inferior, tão Beira-Rio quanto todo o resto, tão Inter como todos nós, parecia fitar o céu. Sobrepostas, suas escadas de cimento lembravam dentes cerrados. Não ria nem chorava. Mas tinha o semblante sarcástico, tal qual a fera que engole a presa fácil e palita o dente com os ossos.

Como por encanto, as 700, 800 pessoas que ali bradavam contra o capitão não mais existiam. Envergonhado da sua origem, o som dos lábios que tentavam menosprezar o maior jogador gaúcho dos últimos 30 anos bailou no ar e juntou-se ao berro apaixonado da massa. Agora ele também era todo louvor ao homem que nasceu com a missão de reerguer aquilo que jamais caiu, de engrandecer o que nunca foi menor, de fazer do Sport Club Internacional, enfim, o que todos sabiam que ele era, o maior do mundo.

Fernandão já deixou de ser apenas um bom jogador de futebol há muito tempo. O capitão é muito mais que isso. Fernandão, hoje, é um duplo. E nessa dualidade se encerra quase toda a polêmica que possa haver em torno de seu nome.

Amigos, atentem para quando Fernandão correr. Olhem o corpo esguio, a passada elegante, briosa do capitão, a melena febril saltando-lhe na nuca, os braços vivos dando a diretriz, indicando a jogada, postados tal qual um relógio em dez para as duas. Notem que ao lado do Fernandão atacante, de meias e caneleiras, corre um espectro.

Sua silhueta é idêntica à do camisa 9, porém diáfana, transparente, cintilante, perispíritica, coberta de faixas, medalhas, alçando taças de tamanhos e tonalidades diversas. Este é o Fernandão histórico.

Por Centenários ou Jaconis, Morumbis ou Maracanãs, Fernandão carrega consigo o seu duplo, forjado em seu próprio talento, montado na matéria-prima de seu mérito e qualidade, costurado em cabeçadas, pênaltis e assistências, em choros e gritos, Yokohamas e Quitos. Fernandão é um centauro, meio boleiro, meio mito. E aqui dissolve-se todo o mistério que envolve o centroavante. Hoje, é impossível dissociar o Fernandão humano, falível, do Fernandão eterno e mágico. Por isso, sempre que se criticar o Fernandão terreno se atingirá o Fernandão do Olimpo. Sempre que se santificar o Fernandão imortal se estará canonizando o de carne e osso. Um é escudo do outro, um é ferida do outro. Ao mesmo tempo, vivem numa briga voraz – mas de resultado óbvio – para manterem-se em simbiose.

Em jogos como o de hoje, em massacres, em chacotas, em expurgos, em humilhações como a de hoje, o Fernandão homem enfraquece, morre mais um pouco. O Fernandão insosso, de correr arrastado e improdutivo, o Fernandão ‘que já deu o que tinha que dar’ tonteia e quase desfalece. Já o Fernandão histórico, armário vivo de glórias, cume do panteão colorado, se fortifica e ganha ainda mais vida, acelera o processo irreversível que o tornará único. Alimentado pelo Fernandão humano, o mítico e eterno capitão colorado se faz soberano a cada taça que levanta, em cada batalha épica vencida, no gramado santo do Gigante, embaixo das nossas mãos estiradas, de nossos punhos fechados, de nossa visão embaçada.

Chegará o dia em que, na sombra de uma nova conquista, o capitão erguerá seus braços às nuvens novamente e não mais voltará, sorvido pela sua predestinação.

Hoje, Fernandão é o melhor pivô do futebol brasileiro, terrível na bola área, inteligentíssimo no tabelamento, leão nas decisões. Fernandão não se encerra nisso, tampouco na liderança incontestável ou na postura altiva de rei justo, tanto em campo quanto fora dele. O capitão é ideal de jogador, paradigma, matriz quase sem cópia. Fernandão é aquele a quem gerações inteiras se curvarão ao infinito por tudo que ele foi e representa. E quem tentar desdenhar de Fernandão, quem pensar que pode menosprezá-lo, sucumbirá na quimera burra de atingir o homem, mas fatalmente receberá de volta a pancada do mito. Essa, muito mais forte e dolorosa. Tonteará, cairá, será cuspido e pisoteado. Seis, sete, oito vezes. Tombará no solo em que todos tombam. Sumirá onde todos somem.

Lá, onde o Gigante não ri nem chora...


"Se" - 17/Dezembro

Autor: Daniel Chiodelli


E se o Eto’o não tivesse se machucado?

E se o Messi tivesse jogado?

E se o Gudjohnsen acertasse uma daquelas em gol?

E se o Clemer não defendesse aquele chute do von Bronkhorst?

E se o juiz marcasse pênalti no Ronaldinho?

E se ele fosse bater o pênalti?

E se aquela falta que o Ronaldinho bateu no primeiro tempo desviasse na barreira?

E se o Rijkaard não tirasse o Zambrotta?

E se o Luiz Adriano não tivesse entrado?

E se o Motta ficasse até o fim do jogo?

E se o Fernandão não tivesse sentido cãibras?

E se o Índio não voltasse?

E se o Ediglê tivesse entrado?

E se o Abel colocasse o Perdigão ao invés do Gabiru?

E se o juiz marcasse mão do von Bronkhorst?

E se o Ronaldinho não apertasse o Índio na linha de fundo?

E se o Índio não desse aquele balão pra frente?

E se o Gabiru não metesse a cabeça na bola?

E se o Luiz Adriano não fizesse o mesmo?

E se o juiz marcasse falta do Iarley no Puyol?

E se o Iarley tocasse no Luiz Adriano?

E se o Belletti desse uma trombada no Gabiru?

E se o Gabiru me erra aquela bola?

E se o Valdez espalmasse?

Bah...

E se o Clemer não defendesse aquela bomba do Deco?

E se o Ronaldinho acertasse aquela falta no final?

E se o Ceará pulasse na barreira?

E se o juiz desse mais um minuto de jogo?

Meu Deus!!!

É, gremista, tá fazendo um ano que essas dúvidas não param de martelar na tua cabeça, não é?

Talvez se um “se” desses se realizasse a teu contento, hoje tu não estarias vendo essa festa toda da torcida colorada.

Mas o “se” não entra em campo, não ganha jogo nem comemora títulos.

Quem entrou foi o Gabiru, quem ganhou foi o Inter e quem comemora hoje aqui sou eu.

E se, por um acaso, algum dia te esqueceres disso, esteja certo de uma coisa: de hoje em diante, a cada 17 de dezembro, sempre haverá colorados nas ruas para te lembrar.

 
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