Em diversas situações do nosso dia a dia, vivenciamos momentos onde nossa mente volta ao passado e o vasculha. Distante, recordamos ocasiões inesquecíveis. Instantes onde fomos únicos. Sozinhos, ou rodeados por milhões de seres com um mesmo objetivo, conseguimos fazer a diferença.
Houve uma época em que o Inter foi mágico. Foram tempos onde Valdomiro era capaz de calar boa parte do Brasil, sepultando milhões de prognósticos com uma “bucha” de fora da área, um verdadeiro “paulistão”! Foi nesta época que o “Rei de Roma” desfilou nos gramados do mundo a técnica e o talento que jamais qualquer “Camisa 5” voltará a ver um dia. Naqueles anos, na grande área tremulava a bandeira chilena, onde a sombra do “Capitão dos Andes” causava calafrios nos adversários. O Inter ganhava quando e como ele queria.
Décadas depois, o Inter foi cirúrgico. O colorado entrava em campo contra seus mais variados adversários, buscando sempre a vitória da forma como era viável. A liderança de Fernandão, a técnica e a frieza de Iarley, tudo isso aliado aos torpedos de Alex, transformaram o Inter em um erguedor de múltiplas taças. O Inter se esforçava, derramava suor e ganhava no último suspiro, sempre que podia e do jeito que era possível. Do modo como estava escrito.
Houve outro momento, este infindável e posicionado entre o mágico e o cirúrgico, onde o time vermelho foi comum. Mas quando era único, mesmo simples e limitado, era possível ser diferente e alcançar o objetivo principal, por mais humilde que ele fosse. Naqueles distantes dias, foi possível ver outro chileno, desta vez Letelier, marcar de cabeça e de fora da área o gol antológico que salvou o torcedor colorado da amargura do leito de uma indesejável queda. Tal qual fez o “Capitão do Tetra” anos depois e repetiu, ainda, o jovem e talentoso Mahicon Libretato, em 2002. “Librelato Vive”.
Correram os anos e o amanhã surgiu, nos trazendo apenas uma certeza: o Inter precisa voltar a ser único. Nosso pensamento anda um tanto perdido. Disputas internas que possam estar ocorrendo, sejam por vaidades ou por quaisquer outros motivos, em nada lembram a luta travada em busca do tri brasileiro invicto, em 1979, ou o suor derramado em meio às lágrimas de emoção pelo título mundial de 2006. Há “picuinhas” que só tendem a apequenar o potencial de um gigante do futebol mundial. O Inter precisa voltar a ser único. Não em relação aos outros. Mas a ele mesmo. Pelo bem do seu torcedor!
É Melhor Perder em Abu Dhabi do que ganhar em Recife
::.Fernando Carvalho - 16/12/2010
Estamos nós colorados, aqui em Abu Dhabi, centro do mundo futebolístico, onde se disputa o campeonato mundial de clubes, mas não esquecemos de ouvir notícias da nossa terra. Quero saudar nessa linha, como desportista, colorado e adversário, a posse da nova diretoria do nosso co-irmão Grêmio Football Portoalegrense. Em especial o presidente recém empossado, meu amigo Paulo Odone Ribeiro, que em boa hora retorna ao palco futebolístico gaúcho, onde há muito vem fazendo história.
Soube, aqui de longe, que o presidente tricolor, em seu discurso de posse, destinou ao Internacional grande parte da sua dicção. Em todas as vezes depreciando nossa participação no campeonato mundial de clubes de Abu Dhabi, certame que nenhum outro clube gaúcho disputou.
Recebi de vários colorados referências a este respeito e não me contive lembrando as grandes conquistas do presidente gremista em sua história como dirigente. Duas delas, com certeza, foram marcantes, embora o Grêmio não tenha participado: nossa derrota para o Olímpia, em 89, e agora nosso inesperado revés contra o Mazembe africano.
Lembro, também, que o maior título do seu currículo valeu até DVD, e ocorreu em Recife, quando o Grêmio saiu da segunda divisão pela segunda vez. Claro que houve vários títulos gaúchos e uma Copa do Brasil, todavia não tão comemorados. Outras passagens que também recordo me remetem ao Gre-Nal do Século, quando o dirigente Paulo Odone era o presidente tricolor, bem como o Gre-Nal do Brasileirão de 2008, quando anunciou ter ido ao Beira-Rio de patrola e de lá saiu amargando sonoro 4 a 1.
Por último, leitores e colorados, lembro que o maior título da nossa história, o campeonato oficial do mundo, em Yokohama, em 2006, tinha como presidente de nosso grande e centenário rival, meu amigo Paulo Odone, agora novamente entronizado. Se é possível contabilizar como vitória o revés do adversário, na mesma medida é possível contabilizar como derrota seu maior título.
Para nós colorados, é muito melhor perder em Abu Dhabi do que ganhar em Recife.
Não arriscarei uma tentativa de explicar o inexplicável, medir o imensurável e, tampouco, tocar o intangível. O Inter perdeu. Estou zonzo. A ficha ainda não caiu, pois acostumamo-nos a ganhar demais. E dizer isso não é arrogância. A seguir vocês entenderão. Já disse certa vez o jovem e talentoso escritor colorado Pitta, mais ou menos assim: “não torço pelo Inter devido a suas vitórias, nem mesmo por seus títulos. Um colorado opta pelo vermelho pela essência da camisa e pela história que representa o time da beira do rio”. É isso que me fez ser colorado. Não só eu. Todos nós!
Ser colorado é a maior dádiva que poderia ser proporcionada a qualquer torcedor, de qualquer continente, nos últimos tempos. O Inter decide títulos. Não ganha todos. Mas decide. Quem decide, tem chances reais de título. Qual torcedor não gostaria de fazer parte desta história? Pois bem, em determinadas vezes, é preciso algum tombo nos mostrar que somos mortais. E como é bom ser mortal! Todos já devem ter ouvido a célebre frase que diz: “quanto maior o coqueiro, maior é o tombo”. Pois é. Hoje, após derrota colorada para o congolês Mazembe, rivais se contorceram na tumba, fogos explodiram nos céus e cornetas foram ouvidas em todo o canto do mundo. É, povo colorado, o Inter é gigante! Seu escorregão causa orgias liberadas pelo mundo afora.
Entretanto, precisamos reconhecer: torcemos por um clube de raízes populares e humildes. Realmente, pelo que se viu dentro do gramado, o Inter não mereceu vencer. O time colorado foi ao mundial, carregado nos ombros de milhões de almas vermelhas, mas deixou a desejar. Preparação insuficiente? Planejamento equivocado? Tensão eleitoral? Insuficiência técnica? Isso não importa. Não mais interessa!
O que importa é que em 2010 o Internacional foi eliminado pelo Mazembe, da República Democrática do Congo, na fase semifinal do Mundial de Clubes. Isso será lembrado para sempre, tal qual aquela rasteira que o colorado levou do Juventude, em 1999. Parecida com aquela tragédia ocorrida contra o Olímpia, em 1989. Você foi “menos colorado” por tudo aquilo que aconteceu em determinado momento da história? Eu não fui. Você, tenho certeza, também não foi. Seu coloradismo foi reabastecido naqueles momentos!
Torcedor colorado, raciocine comigo: qual o clube que cresceu apenas com vitórias? Não foi o Inter. O Inter, que nasceu popular e humilde, tem de reaprender a lidar com a derrota. Não que ela deva ser costumeira, muito pelo contrário. Mas uma eventual derrocada servirá para que o Inter alcance novos horizontes, sem jamais esquecer sua história, sem sequer ousar apagar determinada decepção coletiva que possa ter ocorrido em determinado momento da nossa existência. Isso se justifica, até porque amores de verdade, vez ou outra, decepcionam. Mas se fortalecem. Já a palavra fiasco, esta tem outras cores, outra filosofia e outra história.
Minha Copa é a Libertadores, Minha Seleção é o Inter
NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA COMEÇA A COPA 2010 E TODAS ATENÇÕES DO MUNDO DA BOLA ESTARÃO VOLTADAS PARA Á ÁFRICA DO SUL. TODAS? NEM TODAS! POIS AS MINHAS ESTARÃO VOLTADAS PARA O MEU TIME DO CORAÇÃO.
QUEM SERÁ O NOVO TÉCNICO DO INTER? QUAIS JOGADORES SAIRÃO? QUAIS CHEGARÃO? QUAL A MELHOR ESTRATÉGIA E O MELHOR ESQUEMA DE JOGO PARA ELIMINARMOS O SÃO PAULO E CHEGARMOS Á MAIS UMA FINAL DE LIBERTADORES? COMO O INTER ESTARÁ SE PREPARANDO PARA O 2º SEMESTRE DA TEMPERADA 2010?
PERGUNTAS QUE NÃO SAEM DA MINHA CABEÇA E ACREDITO DA MAIORIA DOS TORCEDORES COLORADOS. E ANTES QUE ALGUÉM SE PERGUNTE? É CLARO QUE EU IREI ACOMPANHAR A COPA DA ÁFRICA, ACOMPANHAREI COMO APAIXONADO QUE SOU POR FUTEBOL, IREI TORCER SIM PELO SUCESSO DO NILMAR, DO LÚCIO, DO DUNGA, DO TAFFAREL, DO FÁBIO MAHSEREDJIAN E ATÉ MESMO DO PAULO PAIXÃO, MAS É SÓ ISSO. POIS A MINHA COPA AQUELA QUE EU QUERO CONQUISTAR OUTRA VEZ É A LIBERTADORES QUE NOS DARÁ O DIREITO DE DISPUTAR O VERDADEIRO MUNDIAL DOS COLORADOS O MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA EM ABU DHABI NO FINAL DO ANO. OU SERÁ QUE TERIA ALGUM COLORADO QUE TROCARIA O BI DA AMÉRICA PELO HEXA DA SELEÇÃO DA C.B.F. , EU NÃO TROCARIA! PORQUE A MINHA SELEÇÃO É O INTER E SEMPRE SERÁ...
O Coração
Vermelho da Cidade Pulsará
Autor desconhecido - Março/2009
A cidade se move, há uma grande
expectativa. Nos peitos da gente, corações
vermelhos aceleram. Esperam pelo momento da alegria para
transbordar. Porto Alegre anseia: o maior Deus pagão
dessa terra completará cem anos.
Todos sabemos como cultuá-lo. Vestimos as camisas
vermelhas e brancas. Vibramos com os gols, os dribles, os
carrinhos dos seus apóstolos. Comemoramos cada taça
colocada no altar – e agora, não falta mais
nenhuma. Cantamos os hinos, agitamos as bandeiras, mostramos
os punhos cerrados de força e os gritos incessantes
de vitória.
O Internacional é uma paixão que tomou conta
do mundo inteiro. As arquibancadas do Beira-Rio ficaram
pequenas para tanta alegria. É por isso que decidimos
tomar as ruas da cidade.
No sábado, dia 4 de abril, o coração
vermelho e branco da cidade pulsará. Como nas vitórias
gaúchas, brasileiras, sul-americanas e mundiais.
Você sairá com a sua camisa vermelha, a bandeira
na mão, para fazer a festa numa caminhada que representa
a história do nosso clube. Sairá do local
onde ficava o primeiro campo de treinamento, a praça
Sport Club Internacional - chegará à nossa
Gigante casa, o Beira-Rio.
Quando algum satélite do espaço visualizar
aquela multidão vermelha, celebrando os nossos cem
anos de glória, todos lembrarão quem é
o dono dessa terra.
Renato Vs. Clodovil
Onde o Gigante
Não Ri Nem Chora
::.Emanuel Neves -
Maio/2008
No meio da empolgação,
da gritaria e da loucura dos minutos que antecediam a partida,
por algum motivo, eu direcionei o olhar à torcida
adversária. Das suas bocas e gritos opacos, escorria
a baba de uma empáfia monumental. Num delírio
de soberba, num acesso de presunção desmedida,
ousavam ironizar Fernandão. Em verde e branco, salpicados
de preto e azul, eles proferiam o nome do capitão
num tom de chacota, guinchando um riso de hiena que tantas
vezes eu havia visto. Lastimei. Não pelo camisa 9,
maior que todos. Menos ainda por eles, o nada em esmeralda.
Me consternei mesmo pela arquibancada, por aquela velha
nesga do Gigante que cumpre sua sina infinda de abrigar
os que vêm de fora. Por segundos, me detive naquele
cimento frio e úmido, tristonho e gris como outono.
Duro, carrancudo, inóspito, invernal.
Notei ali um solo quase pagão, condenado à
pena irrevogável de ser um estranho em si mesmo.
Pobre concreto, lamentei. Nossa gente te renega, te deixa
empoeirar. Veneramos o teu oposto! É sempre do outro
lado que tudo acontece. É lá que a magia surgiu
e se renova, a cada quarta ou domingo, para jamais morrer.
Lá que ela acorda ao som dos bumbos, se alvoroça
no tremular das bandeiras, flutua e ganha o mundo nos cantos
que não se calam. É tão mágico
o teu espelho, é tão bendito aquele costado,
que o sol o escolheu para cama.
E tu, solo enjeitado? Enquanto o ginásio espiava
sobre o teu ombro, tu viveste tudo, foste partícipe
de epopéias, glórias incontáveis. Das
tardes do Tri às noites da América. Tudo.
Mas quem em ti viveu? Quem em ti foi Inter? Parece que a
vida corre no teu arrabalde, à tua margem. Nunca
contigo.
A verdade, meu chão, é que quem te pisa não
te merece. Quem te ocupa não te respeita e de ti
não é digno. Mas tu, solo guerreiro, cumpres
o trabalho sujo de sustentar o que não convém
ao Gigante, o que a ele será sempre estranho e menor,
o que já vem com o destino traçado. Tua fatia
diminuta e esquecida é uma espécie de cadafalso,
é a beira do abismo materializada em ferro e areia.
Tu és a boca do Gigante, a quem tudo e todos engole.
Quem por ti adentra, acaba deglutido em 40 mil vozes, amassado
por 22 pernas. Vendo de longe, teus degraus são uma
espiral. Por eles, tal qual uvas, escorrem os restos, os
bagaços mortos em direção ao portão.
Às 17h30min de domingo já não havia
alma alguma no lado oposto da Popular. Não se via
copo nem bandeira, não se ouvia grito, nem eco, nem
fantasma. O setor dos visitantes, onde vários já
tombaram, onde tantos sucumbiram, onde todos se curvaram,
estava nu. E aquela bocado da Inferior, tão Beira-Rio
quanto todo o resto, tão Inter como todos nós,
parecia fitar o céu. Sobrepostas, suas escadas de
cimento lembravam dentes cerrados. Não ria nem chorava.
Mas tinha o semblante sarcástico, tal qual a fera
que engole a presa fácil e palita o dente com os
ossos.
Como por encanto, as 700, 800 pessoas que ali bradavam contra
o capitão não mais existiam. Envergonhado
da sua origem, o som dos lábios que tentavam menosprezar
o maior jogador gaúcho dos últimos 30 anos
bailou no ar e juntou-se ao berro apaixonado da massa. Agora
ele também era todo louvor ao homem que nasceu com
a missão de reerguer aquilo que jamais caiu, de engrandecer
o que nunca foi menor, de fazer do Sport Club Internacional,
enfim, o que todos sabiam que ele era, o maior do mundo.
Fernandão já deixou de ser apenas um bom jogador
de futebol há muito tempo. O capitão é
muito mais que isso. Fernandão, hoje, é um
duplo. E nessa dualidade se encerra quase toda a polêmica
que possa haver em torno de seu nome.
Amigos, atentem para quando Fernandão correr. Olhem
o corpo esguio, a passada elegante, briosa do capitão,
a melena febril saltando-lhe na nuca, os braços vivos
dando a diretriz, indicando a jogada, postados tal qual
um relógio em dez para as duas. Notem que ao lado
do Fernandão atacante, de meias e caneleiras, corre
um espectro.
Sua silhueta é idêntica à do camisa
9, porém diáfana, transparente, cintilante,
perispíritica, coberta de faixas, medalhas, alçando
taças de tamanhos e tonalidades diversas. Este é
o Fernandão histórico.
Por Centenários ou Jaconis, Morumbis ou Maracanãs,
Fernandão carrega consigo o seu duplo, forjado em
seu próprio talento, montado na matéria-prima
de seu mérito e qualidade, costurado em cabeçadas,
pênaltis e assistências, em choros e gritos,
Yokohamas e Quitos. Fernandão é um centauro,
meio boleiro, meio mito. E aqui dissolve-se todo o mistério
que envolve o centroavante. Hoje, é impossível
dissociar o Fernandão humano, falível, do
Fernandão eterno e mágico. Por isso, sempre
que se criticar o Fernandão terreno se atingirá
o Fernandão do Olimpo. Sempre que se santificar o
Fernandão imortal se estará canonizando o
de carne e osso. Um é escudo do outro, um é
ferida do outro. Ao mesmo tempo, vivem numa briga voraz
– mas de resultado óbvio – para manterem-se
em simbiose.
Em jogos como o de hoje, em massacres, em chacotas, em expurgos,
em humilhações como a de hoje, o Fernandão
homem enfraquece, morre mais um pouco. O Fernandão
insosso, de correr arrastado e improdutivo, o Fernandão
‘que já deu o que tinha que dar’ tonteia
e quase desfalece. Já o Fernandão histórico,
armário vivo de glórias, cume do panteão
colorado, se fortifica e ganha ainda mais vida, acelera
o processo irreversível que o tornará único.
Alimentado pelo Fernandão humano, o mítico
e eterno capitão colorado se faz soberano a cada
taça que levanta, em cada batalha épica vencida,
no gramado santo do Gigante, embaixo das nossas mãos
estiradas, de nossos punhos fechados, de nossa visão
embaçada.
Chegará o dia em que, na sombra de uma nova conquista,
o capitão erguerá seus braços às
nuvens novamente e não mais voltará, sorvido
pela sua predestinação.
Hoje, Fernandão é o melhor pivô do futebol
brasileiro, terrível na bola área, inteligentíssimo
no tabelamento, leão nas decisões. Fernandão
não se encerra nisso, tampouco na liderança
incontestável ou na postura altiva de rei justo,
tanto em campo quanto fora dele. O capitão é
ideal de jogador, paradigma, matriz quase sem cópia.
Fernandão é aquele a quem gerações
inteiras se curvarão ao infinito por tudo que ele
foi e representa. E quem tentar desdenhar de Fernandão,
quem pensar que pode menosprezá-lo, sucumbirá
na quimera burra de atingir o homem, mas fatalmente receberá
de volta a pancada do mito. Essa, muito mais forte e dolorosa.
Tonteará, cairá, será cuspido e pisoteado.
Seis, sete, oito vezes. Tombará no solo em que todos
tombam. Sumirá onde todos somem.
Lá, onde o Gigante não
ri nem chora...
"Se"
- 17/Dezembro
::.Daniel Chiodelli
E se o Eto’o não tivesse
se machucado?
E se o Messi tivesse jogado?
E se o Gudjohnsen acertasse uma daquelas
em gol?
E se o Clemer não defendesse aquele
chute do von Bronkhorst?
E se o juiz marcasse pênalti no Ronaldinho?
E se ele fosse bater o pênalti?
E se aquela falta que o Ronaldinho bateu
no primeiro tempo desviasse na barreira?
E se o Rijkaard não tirasse o Zambrotta?
E se o Luiz Adriano não tivesse entrado?
E se o Motta ficasse até o fim do
jogo?
E se o Fernandão não tivesse
sentido cãibras?
E se o Índio não voltasse?
E se o Ediglê tivesse entrado?
E se o Abel colocasse o Perdigão
ao invés do Gabiru?
E se o juiz marcasse mão do von Bronkhorst?
E se o Ronaldinho não apertasse o
Índio na linha de fundo?
E se o Índio não desse aquele
balão pra frente?
E se o Gabiru não metesse a cabeça
na bola?
E se o Luiz Adriano não fizesse o
mesmo?
E se o juiz marcasse falta do Iarley no
Puyol?
E se o Iarley tocasse no Luiz Adriano?
E se o Belletti desse uma trombada no Gabiru?
E se o Gabiru me erra aquela bola?
E se o Valdez espalmasse?
Bah...
E se o Clemer não defendesse aquela
bomba do Deco?
E se o Ronaldinho acertasse aquela falta
no final?
E se o Ceará pulasse na barreira?
E se o juiz desse mais um minuto de jogo?
Meu Deus!!!
É, gremista, tá fazendo um
ano que essas dúvidas não param de martelar
na tua cabeça, não é?
Talvez se um “se” desses se
realizasse a teu contento, hoje tu não estarias vendo
essa festa toda da torcida colorada.
Mas o “se” não entra
em campo, não ganha jogo nem comemora títulos.
Quem entrou foi o Gabiru, quem ganhou foi
o Inter e quem comemora hoje aqui sou eu.
E se, por um acaso, algum dia te esqueceres
disso, esteja certo de uma coisa: de hoje em diante, a cada
17 de dezembro, sempre haverá colorados nas ruas
para te lembrar.