1- Não direi mais que a ANALvalanche é coisa de puto.
2- Esquecerei a história da poltrona 36 e direi que é mito.
3- Valorizarei a Batalha dos Aflitos, achando o maior feito de um clube gaúcho.
4- Iremos juntos à passeata da comemoração da Batalha dos Aflitos.
5- Direi para meus filhos que a Toyota Cup valia a mesma coisa que um título do Mundial da FIFA.
6- Direi para meus filhos que clube grande também é rebaixado para a Segunda Divisão.
7- Nunca mais chamaremos a Geral de COLIGAY e também apagaremos da memóriatal torcida.
8- Se quiserem , poderemos chamar o Grêmio de Boca Juniors !!!
9- Ajudaremos com tijolos para a contrução da Arena fantasma.
10 - Deixaremos vcs ganharem alguns grenais para equilibrar a rivalidade (assim como Gauchões).
11- Diremos a todos que De Leon sangrou a testa em uma batalha campal contra argentinos e não porque foi um imbecil que colocou a taça na cabeça, onde tinha um parafuso copero e peleador dentro.
O Coração
Vermelho da Cidade Pulsará
Autor: ?? - Março/2009
A cidade se move, há uma grande
expectativa. Nos peitos da gente, corações
vermelhos aceleram. Esperam pelo momento da alegria para
transbordar. Porto Alegre anseia: o maior Deus pagão
dessa terra completará cem anos.
Todos sabemos como cultuá-lo. Vestimos as camisas
vermelhas e brancas. Vibramos com os gols, os dribles, os
carrinhos dos seus apóstolos. Comemoramos cada taça
colocada no altar – e agora, não falta mais
nenhuma. Cantamos os hinos, agitamos as bandeiras, mostramos
os punhos cerrados de força e os gritos incessantes
de vitória.
O Internacional é uma paixão que tomou conta
do mundo inteiro. As arquibancadas do Beira-Rio ficaram
pequenas para tanta alegria. É por isso que decidimos
tomar as ruas da cidade.
No sábado, dia 4 de abril, o coração
vermelho e branco da cidade pulsará. Como nas vitórias
gaúchas, brasileiras, sul-americanas e mundiais.
Você sairá com a sua camisa vermelha, a bandeira
na mão, para fazer a festa numa caminhada que representa
a história do nosso clube. Sairá do local
onde ficava o primeiro campo de treinamento, a praça
Sport Club Internacional - chegará à nossa
Gigante casa, o Beira-Rio.
Quando algum satélite do espaço visualizar
aquela multidão vermelha, celebrando os nossos cem
anos de glória, todos lembrarão quem é
o dono dessa terra.
Renato Vs. Clodovil
Onde o Gigante
Não Ri Nem Chora
Autor: Emanuel Neves -
Maio/2008
No meio da empolgação,
da gritaria e da loucura dos minutos que antecediam a partida,
por algum motivo, eu direcionei o olhar à torcida
adversária. Das suas bocas e gritos opacos, escorria
a baba de uma empáfia monumental. Num delírio
de soberba, num acesso de presunção desmedida,
ousavam ironizar Fernandão. Em verde e branco, salpicados
de preto e azul, eles proferiam o nome do capitão
num tom de chacota, guinchando um riso de hiena que tantas
vezes eu havia visto. Lastimei. Não pelo camisa 9,
maior que todos. Menos ainda por eles, o nada em esmeralda.
Me consternei mesmo pela arquibancada, por aquela velha
nesga do Gigante que cumpre sua sina infinda de abrigar
os que vêm de fora. Por segundos, me detive naquele
cimento frio e úmido, tristonho e gris como outono.
Duro, carrancudo, inóspito, invernal.
Notei ali um solo quase pagão, condenado à
pena irrevogável de ser um estranho em si mesmo.
Pobre concreto, lamentei. Nossa gente te renega, te deixa
empoeirar. Veneramos o teu oposto! É sempre do outro
lado que tudo acontece. É lá que a magia surgiu
e se renova, a cada quarta ou domingo, para jamais morrer.
Lá que ela acorda ao som dos bumbos, se alvoroça
no tremular das bandeiras, flutua e ganha o mundo nos cantos
que não se calam. É tão mágico
o teu espelho, é tão bendito aquele costado,
que o sol o escolheu para cama.
E tu, solo enjeitado? Enquanto o ginásio espiava
sobre o teu ombro, tu viveste tudo, foste partícipe
de epopéias, glórias incontáveis. Das
tardes do Tri às noites da América. Tudo.
Mas quem em ti viveu? Quem em ti foi Inter? Parece que a
vida corre no teu arrabalde, à tua margem. Nunca
contigo.
A verdade, meu chão, é que quem te pisa não
te merece. Quem te ocupa não te respeita e de ti
não é digno. Mas tu, solo guerreiro, cumpres
o trabalho sujo de sustentar o que não convém
ao Gigante, o que a ele será sempre estranho e menor,
o que já vem com o destino traçado. Tua fatia
diminuta e esquecida é uma espécie de cadafalso,
é a beira do abismo materializada em ferro e areia.
Tu és a boca do Gigante, a quem tudo e todos engole.
Quem por ti adentra, acaba deglutido em 40 mil vozes, amassado
por 22 pernas. Vendo de longe, teus degraus são uma
espiral. Por eles, tal qual uvas, escorrem os restos, os
bagaços mortos em direção ao portão.
Às 17h30min de domingo já não havia
alma alguma no lado oposto da Popular. Não se via
copo nem bandeira, não se ouvia grito, nem eco, nem
fantasma. O setor dos visitantes, onde vários já
tombaram, onde tantos sucumbiram, onde todos se curvaram,
estava nu. E aquela bocado da Inferior, tão Beira-Rio
quanto todo o resto, tão Inter como todos nós,
parecia fitar o céu. Sobrepostas, suas escadas de
cimento lembravam dentes cerrados. Não ria nem chorava.
Mas tinha o semblante sarcástico, tal qual a fera
que engole a presa fácil e palita o dente com os
ossos.
Como por encanto, as 700, 800 pessoas que ali bradavam contra
o capitão não mais existiam. Envergonhado
da sua origem, o som dos lábios que tentavam menosprezar
o maior jogador gaúcho dos últimos 30 anos
bailou no ar e juntou-se ao berro apaixonado da massa. Agora
ele também era todo louvor ao homem que nasceu com
a missão de reerguer aquilo que jamais caiu, de engrandecer
o que nunca foi menor, de fazer do Sport Club Internacional,
enfim, o que todos sabiam que ele era, o maior do mundo.
Fernandão já deixou de ser apenas um bom jogador
de futebol há muito tempo. O capitão é
muito mais que isso. Fernandão, hoje, é um
duplo. E nessa dualidade se encerra quase toda a polêmica
que possa haver em torno de seu nome.
Amigos, atentem para quando Fernandão correr. Olhem
o corpo esguio, a passada elegante, briosa do capitão,
a melena febril saltando-lhe na nuca, os braços vivos
dando a diretriz, indicando a jogada, postados tal qual
um relógio em dez para as duas. Notem que ao lado
do Fernandão atacante, de meias e caneleiras, corre
um espectro.
Sua silhueta é idêntica à do camisa
9, porém diáfana, transparente, cintilante,
perispíritica, coberta de faixas, medalhas, alçando
taças de tamanhos e tonalidades diversas. Este é
o Fernandão histórico.
Por Centenários ou Jaconis, Morumbis ou Maracanãs,
Fernandão carrega consigo o seu duplo, forjado em
seu próprio talento, montado na matéria-prima
de seu mérito e qualidade, costurado em cabeçadas,
pênaltis e assistências, em choros e gritos,
Yokohamas e Quitos. Fernandão é um centauro,
meio boleiro, meio mito. E aqui dissolve-se todo o mistério
que envolve o centroavante. Hoje, é impossível
dissociar o Fernandão humano, falível, do
Fernandão eterno e mágico. Por isso, sempre
que se criticar o Fernandão terreno se atingirá
o Fernandão do Olimpo. Sempre que se santificar o
Fernandão imortal se estará canonizando o
de carne e osso. Um é escudo do outro, um é
ferida do outro. Ao mesmo tempo, vivem numa briga voraz
– mas de resultado óbvio – para manterem-se
em simbiose.
Em jogos como o de hoje, em massacres, em chacotas, em expurgos,
em humilhações como a de hoje, o Fernandão
homem enfraquece, morre mais um pouco. O Fernandão
insosso, de correr arrastado e improdutivo, o Fernandão
‘que já deu o que tinha que dar’ tonteia
e quase desfalece. Já o Fernandão histórico,
armário vivo de glórias, cume do panteão
colorado, se fortifica e ganha ainda mais vida, acelera
o processo irreversível que o tornará único.
Alimentado pelo Fernandão humano, o mítico
e eterno capitão colorado se faz soberano a cada
taça que levanta, em cada batalha épica vencida,
no gramado santo do Gigante, embaixo das nossas mãos
estiradas, de nossos punhos fechados, de nossa visão
embaçada.
Chegará o dia em que, na sombra de uma nova conquista,
o capitão erguerá seus braços às
nuvens novamente e não mais voltará, sorvido
pela sua predestinação.
Hoje, Fernandão é o melhor pivô do futebol
brasileiro, terrível na bola área, inteligentíssimo
no tabelamento, leão nas decisões. Fernandão
não se encerra nisso, tampouco na liderança
incontestável ou na postura altiva de rei justo,
tanto em campo quanto fora dele. O capitão é
ideal de jogador, paradigma, matriz quase sem cópia.
Fernandão é aquele a quem gerações
inteiras se curvarão ao infinito por tudo que ele
foi e representa. E quem tentar desdenhar de Fernandão,
quem pensar que pode menosprezá-lo, sucumbirá
na quimera burra de atingir o homem, mas fatalmente receberá
de volta a pancada do mito. Essa, muito mais forte e dolorosa.
Tonteará, cairá, será cuspido e pisoteado.
Seis, sete, oito vezes. Tombará no solo em que todos
tombam. Sumirá onde todos somem.
Lá, onde o Gigante não
ri nem chora...
"Se"
- 17/Dezembro
Autor: Daniel Chiodelli
E se o Eto’o não tivesse
se machucado?
E se o Messi tivesse jogado?
E se o Gudjohnsen acertasse uma daquelas
em gol?
E se o Clemer não defendesse aquele
chute do von Bronkhorst?
E se o juiz marcasse pênalti no Ronaldinho?
E se ele fosse bater o pênalti?
E se aquela falta que o Ronaldinho bateu
no primeiro tempo desviasse na barreira?
E se o Rijkaard não tirasse o Zambrotta?
E se o Luiz Adriano não tivesse entrado?
E se o Motta ficasse até o fim do
jogo?
E se o Fernandão não tivesse
sentido cãibras?
E se o Índio não voltasse?
E se o Ediglê tivesse entrado?
E se o Abel colocasse o Perdigão
ao invés do Gabiru?
E se o juiz marcasse mão do von Bronkhorst?
E se o Ronaldinho não apertasse o
Índio na linha de fundo?
E se o Índio não desse aquele
balão pra frente?
E se o Gabiru não metesse a cabeça
na bola?
E se o Luiz Adriano não fizesse o
mesmo?
E se o juiz marcasse falta do Iarley no
Puyol?
E se o Iarley tocasse no Luiz Adriano?
E se o Belletti desse uma trombada no Gabiru?
E se o Gabiru me erra aquela bola?
E se o Valdez espalmasse?
Bah...
E se o Clemer não defendesse aquela
bomba do Deco?
E se o Ronaldinho acertasse aquela falta
no final?
E se o Ceará pulasse na barreira?
E se o juiz desse mais um minuto de jogo?
Meu Deus!!!
É, gremista, tá fazendo um
ano que essas dúvidas não param de martelar
na tua cabeça, não é?
Talvez se um “se” desses se
realizasse a teu contento, hoje tu não estarias vendo
essa festa toda da torcida colorada.
Mas o “se” não entra
em campo, não ganha jogo nem comemora títulos.
Quem entrou foi o Gabiru, quem ganhou foi
o Inter e quem comemora hoje aqui sou eu.
E se, por um acaso, algum dia te esqueceres
disso, esteja certo de uma coisa: de hoje em diante, a cada
17 de dezembro, sempre haverá colorados nas ruas
para te lembrar.